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O cavaquinho é um cordofone popular de pequenas
dimensões, do tipo da viola de tampos chatos e da família das guitarras
europeias. Possuindo uma caixa de duplo bojo e pequeno enfranque, as suas quatro
cordas de tripa ou metálicas (em aço) são tradicionalmente presas a cravelhas de
madeira dorsais e ao cavalete colado a meio do bojo inferior do tampo, por um sistema que
também se usa na viola. Além deste nome encontramos ainda, para o mesmo instrumento
ou outros com ele relacionados, as designações de machimbo, machim, machete,
manchete ou marchete, braguinha ou braguinho, cavaco.
Dentro da categoria geral com aquelas características, existem actualmente em Portugal
continental dois tipos de cavaquinhos, que correspondem a outras tantas áreas: o tipo
minhoto e o tipo de Lisboa.
Minho
É sem dúvida fundamentalmente no Minho que
o cavaquinho aparece hoje como uma espécie típicamente popular, ligada às formas
essenciais da música característica desta província.
O cavaquinho é um dos instrumentos favoritos e mais populares das rusgas minhotas
partilhando com elas, e com o género musical que lhe é próprio, um carácter lúdico e
festivo do qual se excluem outros usos cerimoniais ou austeros. Usando-se sózinho, com
função harmónica e para acompanhamento do canto, o cavaquinho aparece frequentemente
acompanhado pela viola ou outros instrumentos - nomeadamente o violão, a guitarra, a
rabeca, o bandolim e a harmónica ou acordeão, para além de alguns percutivos como o
tambor, ferrinhos e reco-recos, próprios daqueles conjuntos festivos. Em terras de Basto
e Amarante é estabelecida uma distinção nítida entre o instrumental do tipo da rusga
para as canas-verdes e malhões que compreende o cavaquinho, violão, bombo e ferrinhos,
harmónica e acordeão; e o do tipo da chula ou vareira que compreende a rabeca
(parcialmente substituída pela harmónica), violas (uma alta em tom de guitarra, e outra
baixa), violões assurdinados no sexto ou sétimo ponto, bombos, ferrinhos, mas não
cavaquinhos. Deste modo, na região, o cavaquinho alterna com a rabeca chuleira as
funções de instrumento agudo.
Características
O cavaquinho minhoto tem a escala rasa com o tampo, tal como a viola, e doze trastos; a
boca da caixa é usualmente de «raia», por vezes com recortes para baixo, embora surjam
ainda outros de boca redonda. As dimensões do instrumento diferem pouco de caso para
caso, não excedendo os 52 cm de comprimento total num exemplar comum. A altura da caixa
é o elemento menos constante - com 5 cm na generalidade dos casos -, embora apareçam com
frequência cavaquinhos muito baixos, que têm um som mais gritante (os machinhos
de terras do Basto e Minho). As madeiras variam conforme a qualidade do instrumento. Os
melhores tampos são em pinho de Flandres - embora mais correntemente também se fabriquem
em tília ou choupo -, as ilhargas e o fundo são em tília, nogueira ou cerejeira. Surgem
ainda alguns exemplares com a metade superior do tampo, as ilhargas e o fundo fabricados
em pau-preto. Braço, cabeça ou cravelhal são de amieiro, bastante recortados segundo
moldes variados e característicos. Os rebordos e boca do cavaquinho são sempre decorados
com frisos e os cavaletes são quase sempre em pau-preto, tal como o indica o Regimento
para o ofício de violeiro para as violas (Guimarães, 1719).
Os cavaquinhos minhotos são construídos por uma indústria outrora centralizada
sobretudo nas áreas de Guimarães e Braga, actualmente extensiva à cidade do Porto e
arredores de Braga. Quanto a Guimarães, já no século XVII ali se construíam estes
instrumentos; mencionando-se os machinhos de quatro e de cinco cordas, por entre as
espécies então fabricadas, no Regimento atrás citado.
Técnicas e Afinações
O cavaquinho geralmente toca-se rasgado com os quatro dedos menores da
mão direita, ou apenas com o polegar e o indicador como instrumento harmónico. No
entanto, um bom instrumentista executa a parte cantante destacada do rasgado com os dedos
menores da mão esquerda sobre as cordas agudas, ao mesmo tempo que as cordas graves fazem
o acompanhamento em acordes. Trata-se de um instrumento com um grande número de
afinações que, tal como no caso da viola, variam conforme as terras, as formas
tradicionais e até os tocadores. Porém, geralmente e para tocar em conjunto, o
cavaquinho afina pela viola com a corda mais aguda colocada na máxima altura aguda
possível. A sua afinação natural parece ser ré-sol-si-ré (do grave
para o agudo), mas usa-se também sol-sol-si-ré (ou lá-lá-dó #-mi, do
grave para o agudo). Certos tocadores de Braga usam ainda outras afinações além destas,
próprias de certas formas em que a corda mais aguda (ré) é ora a primeira, ora a
terceira: a afinação para o varejamento (com a primeira mais aguda) que corresponde a sol-sol-si-ré,
atrás indicada; a afinação para malhão e vira na «moda velha» mais antiga (sol-ré-mi-lá,
também com a primeira mais aguda). Em Barcelos, é preferida a de sol-dó-mi-lá
(afinação da «Maia») existindo ainda outras afinações de malhão e vira, para além
de outras com a terceira mais aguda, etc. Actualmente o cavaquinho é usado - tal como
outros instrumentos típicos das rusgas - também para o fado, seguindo aí uma afinação
correspondente com a primeira mais aguda.
(Curiosamente, uma das
afinações mais usadas - não citada por Ernesto Veiga de Oliveira - e porventura mais
versátil harmonicamente é: (de cima para baixo) - RE-LA-SI-MI.)
Origem
A origem do cavaquinho é duvidosa. Gonçalo Sampaio, que explica a sobrevivência de
modos arcaicos e helénicos na música minhota à luz de possíveis influências gregas
(ou ligures) exercidas sobre os primitivos calaicos daquela Província, acentua a
relação existente entre o cavaquinho e os tetracórdios e sistemas helénicos, sendo de
opinião que ele, a par da viola, terá eventualmente vindo para Braga por intermédio dos
biscaínhos. De facto, existe em Espanha um instrumento semelhante ao cavaquinho, da
família das guitarras - o requinto - de quatro cordas, braço
raso com o tampo e dez trastos, que afina do grave para o agudo (ré-lá-dó
sustenido-mi). Jorge Dias parece também considerá-lo vindo de Espanha, onde também se
encontra em termos idênticos a guitarra, guitarrón ou guitarrico, como o chitarrino
italiano. E acrescenta ainda: « sem poder precisar a data da sua introdução,
temos que reconhecer que o cavaquinho encontrou no Minho um acolhimento invulgar, como
consequência da predisposição do temperamento musical do povo pelas canções vivas e
alegres e pelas danças movimentadas ... O cavaquinho, como instrumento de ritmo e
harmonia, com o seu tom vibrante e saltitante é, como poucos, próprio para acompanhar
viras, chulas, malhões, canas-verdes, verdegares, prins».
Cavaquinho de Lisboa
O cavaquinho de Lisboa, é semelhante ao minhoto pelo seu aspecto geral, dimensões e tipo
de encordoamento. Difere essencialmente deste pela escala que é em ressalto, elevada em
relação ao tampo, e pelo seu número de dezassete trastos. O cavalete difere do dos
cavaquinhos minhotos, tratando-se de uma espessa régua linear com um rasgo horizontal
escavado a meio onde a corda prende por um nó corredio.
O cavaquinho parece ser aqui um instrumento de tuna com carácter urbano e sobretudo
burguês que, em meados do século XIX, os mestres de dança da cidade terão certamente
utilizado nas suas lições, sendo ocasionalmente tocado por intérpretes femininos.
Toca-se pontiado com plectro, tal como os instrumentos desse género do tipo dos
bandolins, produzindo-se tremolo sobre cada corda. Enfim, em certos casos aliás pouco
frequentes, um instrumento parecido com o cavaquinho pelo seu formato geral e dimensões -
mas com um número superior de cordas e um braço mais largo - leva também o nome de cavaquinho,
embora não partilhe com ele a mesma estirpe e natureza.
Algarve
No Algarve conhece-se igualmente o cavaquinho como instrumento de tuna - «a solo ou
com bandolins, violas (violões), guitarras e outros » - de uso similar ao de Lisboa:
urbano, popular ou burguês, para estudantinas, serenatas, etc.
Ilha de Madeira
Na ilha da Madeira existe também o correspondente destes cordofones com os nomes de braguinha,
braga, machete, machete de braga ou cavaquinho. O braguinha tem as
mesmas dimensões e número de cordas dos cavaquinhos continentais, possuindo a forma e as
características do cavaquinho de Lisboa. O encordoamento parece ser de tripa, mas o uso
popular substitui geralmente a primeira corda por fio de aço cru e a sua afinação é
ré-sol-si-ré, do grave para o agudo.
Relativamente ao seu contexto social, o braguinha madeirense desempenha uma
função dupla. Pode apresentar-se como instrumento de nítido carácter popular, próprio
do «vilão», rítmico e harmónico, para acompanhamento, tocando-se rasgado. Ou surgir
como instrumento urbano, citadino e burguês, de tuna, melódico e apresentando-se
enquanto único elemento cantante madeirense. Toca-se pontiado com palheta ou ,
preferencialmente, com a unha do polegar direito em jeito de plectro, alternando com rufos
ou acordes dados com os dedos anelar, médio e indicador. Morfológicamente idênticos, o
instrumento rural é extremamente rústico e pobre, enquanto que o burguês e citadino é
geralmente de uma feitura esmerada, em madeiras de luxo e com embutidos.
Açores
O Dicionário Musical de Ernesto Vieira e o Groves Dictionary of Music mencionam
a presença do cavaquinho nos Açores (Prainha do Norte, Ilha do Pico)
existindo ainda notícia da sua presença no Faial, nomeadamente na ilha dos Flamengos,
perto da Horta.
Brasil
O cavaquinho existe também no Brasil, figurando em todos os conjuntos
regionais de choros, emboladas, bailes pastoris, sambas, ranchos, chulas,
bumbas-meu-boi, cheganças de marujos, cateretês, etc., ao lado da viola, violão,
bandolim, clarinete, pandeiro, rabecas, guitarras, flautas, oficleides, reques-reques,
puita, canzá e outros, com carácter popular mas urbano.
Este cavaquinho difere do minhoto tendo - como os de Lisboa e da Madeira - o braço em
ressalto sobre o tampo, 17 trastos e boca redonda possuindo menores dimensões totais. A
sua afinação mais usual é com o acorde de sol maior invertido, similar à da Madeira ou
de certos casos minhotos, surgindo ainda afinações diversas.
Os autores brasileiros em geral - Oneyda Alvarenga, Mário de Andrade, Renato Almeida,
etc. - mencionam a origem portuguesa do cavaquinho brasileiro e Câmara Cascudo refere
mesmo particularmente a importância desempenhada pela ilha do Madeira.
De um modo geral, ao instrumento minhoto tradicional e francamente popular - e
origináriamente coimbrão - que se toca de rasgado, corresponde o velho tipo de braço
raso com doze trastos. Aos instrumentos de carácter citadino e burguês - de Lisboa,
Algarve e Madeira - que se tocam de pontiado, corresponde o tipo de braço em ressalto e
dezassete trastos, que parece ter sofrido influências do violão, guitarra ou bandolim.
Embora de carácter popular, o cavaquinho brasileiro pertence a este último tipo, sendo
sobretudo usado pelos estratos populares urbanos.
Ilhas Hawai
Finalmente, nas ilhas Hawai existe um instrumento igual ao cavaquinho - o «ukulele»
- que parece ter sido para ali levado pelos portugueses.
Tal como o nosso cavaquinho, o «ukulele» havaiano tem quatro cordas e a mesma forma
geral. Certos violeiros fazem-no com o braço em ressalto e dezassete trastos, do mesmo
modo que os cavaquinhos de Lisboa, da Madeira e do Brasil; mas existem «ukuleles» de
fabrico inglês do tipo do cavaquinho minhoto, de braço raso com tampo e apenas doze
trastos.
A sua afinação natural é, do grave para o agudo, sol-dó-mi-lá (ou lá-ré-fá
sustenido-si, ou ainda ré-sol-si-mi, como indicam certos manuais ingleses). Carlos Santos
e Eduardo Pereira referem-se à divulgação do braguinha por todo o mundo graças ao
turismo e ao cinema e, sobretudo, à exportação e emigração dos colonos ilhéus para
as Américas do Norte e Sul, ilhas Sandwich, etc.
De facto, o cavaquinho foi introduzido no Hawai pelo madeirense João Fernandes que viaja
para Honolulu no barco à vela «Ravenscrag» com um contingente de emigrantes destinado
às plantações de açúcar, seguindo trajecto pela rota do cabo Horn. Entre eles
encontram-se cinco dos nomes que ficaram ligados à história da introdução do
cavaquinho em Hawai: dois tocadores (João Fernandes e José Luis Correia) e três
construtores (Manuel Nunes, Augusto Dias e José do Espírito Santo).
O «Ravenscrag» chega a Honolulu a 23 de Agosto de 1879 e João Fernandes, (de acordo com
um relato então feito à revista Paradise of the Pacific, de Janeiro de 1922), ao
desembarcar, trazia na mão o braguinha com que entretivera os demais companheiros na
longa viagem. Os havaianos, quando ouviram João Fernandes tocar o pequeno instrumento,
ficaram encantados e logo lhe deram o nome de «ukulele» - que significa «pulga
saltadora» - figurando o modo peculiar como é tocado. Seguidamente, João Fernandes
generalizou o seu uso em danças, festas e serenatas locais tendo depois formado um
conjunto com Augusto Dias e José Luis Correia.
A par de Manuel Nunes - com oficina aberta logo a seguir à sua chegada e documentada
desde 1884 -, Augusto Dias abre uma loja de fabrico e venda de «ukuleles» e o mesmo faz
José do Espírito Santo, em 1888. Estes três primeiros violeiros passaram a utilizar as
madeiras locais de kou e koa, com as quais construiram instrumentos de muito
boa qualidade.
Cabo Verde
O cavaquinho existe também em Cabo Verde, num formato maior do que o do seu congénere
português, com escala em ressalto até à boca e dezasseis trastos, encontrando-se
também ligado às formas tradicionais da música local.
Relativamente à sua expansão geo-cultural, o cavaquinho
parece constituir uma espécie fixada entre nós primordialmente no Minho, de onde
irradiou para outras regiões - Coimbra, Lisboa, Algarve, Madeira, Açores, Cabo
Verde e Brasil.
Desse modo, o cavaquinho ter-se-á difundido na Madeira por mão do emigrante minhoto.
Longe do seu foco de origem e da sua tradição mais castiça, ele modifica a sua forma
por influência e associação a outras espécies ali existentes, conservando o seu
carácter popular mas adquirindo um novo status mais elevado na cidade do Funchal.
Será assim que ele regressa ao Continente, Algarve e Lisboa, em mãos de gentes dessas
áreas que o conhecem ali apenas sob esse aspecto. O mesmo poderá ter acontecido com o
Brasil; embora aí seja também de admitir o estabelecimento de relações directas entre
a Madeira e esse país.
Lenie Berthe menciona ainda um outro tipo de instrumento ocorrente na Indonésia - o ukélélé
ou kerontjong - "como acompanhante na orquestra que leva o mesmo
nome de kerontjong", a par de uma viola grande (guitarre), um violoncelo ou
contrabaixo e um alto (viole)". Esta orquestra corresponde a um género musical
indonésio que surge nos começos do séc. XVI por contacto com a música portuguesa e
influenciada, conforme as regiões, por estilos tradicionais como o gamelan.
*Este capítulo faz parte do livro
"Instrumentos Musicais Populares Portugueses da Autoria de Ernesto Veiga de Oliveira,
publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Faz parte também da capa do disco
"cavaquinho" de Júlio Pereira, e autorizado pela
mesma Fundação.
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The
"cavaquinho" is a small string instrument (like the ukulele) of the
European guitar
family with four wires or gut strings attached to the lateral wooden pegs in a
similar way to the guitar. Beside this designation, this instrument is also called
machimbo,
machim, machete (Portuguese islands' and Brazilian designation), manchete or marchete,
braguinha or braguinho and cavaco.
There are two cavaquinho types that exist in the same category which are
presently found in Portugal, each one having some particular characteristics: the
Minhos (northeast Portuguese mainland) and the Lisbon's instrument.
Minho
The cavaquinho appears mainly in
Minho as a popular instrument directly linked to the region's specific musical forms.
This particular instrument is one of the most popular musical elements of Minhos
"rusgas" (merry gatherings on their way to local festivals), shared with
the traditional brilliant character from which are excluded all other ceremonial uses.
Played solo with an harmonic function and, or accompanying voice, the cavaquinhos are
usually integrated by several instrumental guitar ensembles or other instrumental groups -
such as the guitar, "rabeca", mandolin and harmonica or accordion, along with
some of the other typical percussion elements of traditional expression. (drums,
"ferrinhos" e "reco-recos").
Caractheristics
This cavaquinho minhoto has a flat scale - similar to the guitar - twelve fret
wires with a round or open outlined sound hole. Its common size doesnt exceed
52cm in length. The height of the box frequently varies but normally it measures 5cm; in
spite of this, there are also lower cavaquinhos producing a louder sound (as the
Terras do Basto and Minhos machinhos). The wood changes according to the
quality of each instrument: the best covers are made of Flanders' pine-wood - though
currently the more popular ones are also made of lime and poplar, - usually the flanks and
bottoms are made of lime, walnut or cherry-tree. Many instruments appear with the superior
half of the cover flanks and the bottom designed in black wood, the bridge and pegboard
being made of alder and deeply outlined according to different traditional patterns. The
borders and sound holes instrument are decorated with friezes and the bridge is
normally made of black wood - as mentioned in the Regimento para o ofício de violeiro
(an oficial document on guitar making - Guimarães, 1719).
The Minhos cavaquinhos are historically constructed by a traditional industry
mostly centralised on Guimarães and Braga, nowadays extended to the Porto and Braga
areas.
Technics and Tuning
The cavaquinho is generally played by using the "rasgado"
technique, using the four smaller fingers of the right hand or only its thumb and
forefinger, as an harmonic instrument. Nevertheless, a good player may perform the
detached aria besides the "rasgado" with the smaller fingers of the left
hand pressing the high strings while the other fingers produce the melody accompaniment.
The instruments tune options change geographically according to the different
regions, musical forms and players, though mainly in a collective performance the cavaquinho
follows the guitar. Its natural tune seems to be D - G - B - D (from lower to
higher pitches) but we may also use G - G - B - D (or
A - A - C# - E).
The Bragas players even adopt other tune sequences characteristic of some
traditional music forms upon which the highest string (D) is alternatively the first or
third one: the "varejamento" tune (with the first on higher pitches)
corresponding to the one of G - G - B -D mentioned above; the "malhão"
and "vira" tune suits the ancient "moda velha" of
G - D - E - A
also with the first string on higher pitches. In the region of Barcelos cavaquinhos
players usually prefer the Maia tune - G - C - E - A - together with different
kinds of "malhão" and "vira" tunes or other ones with
the third on higher pitches. Nowadays the Portuguese cavaquinho is also used in
"fado" - as it happens to be with several instruments historically integrated in
popular festivals - following a specific tune scheme with the first high pitched.
The origins of this Portuguese instrument are not easily found .
Gonçalo Sampaio, who explains the survival of Minhos archaic and Hellenistic
patterns by eventual Greek influences upon the ancient calaics of the region, puts
an accent on a link between this instrument and those historical tetrachords. The author
sustains that the cavaquinho and the guitar may had been introduced in Braga by the
"biscaínhos". Actually, in Spain there is a similar instrument to this
Portuguese "cavaquinho", belonging to the guitar family - the "requinto"-
having four strings, a flat bridge, cover and ten fret wires, which tune is D-A-C sharp-E
from low to high pitches. Jorge Dias consider it imported from Spain too, where the "guitarra",
"guitarrón" or "guitarrico" are also found along with the
Italian "chitarrino", saying: «without fixing the date of its
introduction, we have to recognise the remarkable honour that the "cavaquinho"
achieved in Minho by reason of people traditional music character, its joyful songs, its
lively dances ... The "cavaquinho", as a rhythmic and harmonic instrument with
its own vibrating and cheerful sound, is one of the most fited instrument for accompanying
"viras","chulas", "males", "canas-verdes",
"verdegares", "prins"».
Cavaquinho from Lisboa
The Lisbon type is similar to the Minhos one by its general dimensions, shape and
stringing, essentially differing from it by its bent scale and its seventeen fret wires.
This instruments bridge is made of a thick piece of wood with an horizontal line
engraved in the middle where the string is attached.
Being ocasionally performed by women, the "cavaquinho" seems to be here
an urban instrument of students musical groups which bourgeois character was often used by
ninetienth centurys dance teachers. Its playing technique is plectrum style - as it
happens with other exemplaries of the mandolin family - producing tremolo on each
string.
Algarve
On the Algarve (Portugal continental southern region) the cavaquinho is mainly
known as frequent instrument of student musical groups - «played solo or accompanying
mandolins, guitars, or others» - having a similar use to the Lisbon type: with an
urban, popular or bourgeois character, typical of portuguese "estudantinas"
(crowds of students that sing and play instruments together), serenades,etc.
Madeira's Island
There is also a correspondant type of this string instrument in Madeira island called
braguinha,
braga, machete de braga or cavaquinho. The braguinha has the
same total dimensions, similar strings number, shape and general features of the Lisbon cavaquinho.
Its stringing appears to be made of gut, but the popular use happens to change it in wire
following an usual tune of D - G - B - D from lower to higher pitches.
The Madeiras braguinha has a double social rule. We can see it as a really
popular character - the vilãos rythmic and harmonic instrument of
accompaniments, being played rasgado - or as an urban instrument of students
musical groups having a mainly melodic character, actually being the only known singing
element of the island. The braguinha is played "pontiado" and
plectrum style or, more desirable, using the rigth hand thumb nail, alternatively
producing "rufos" or chords with the ring finger, middle finger and
forefinger. Morphologically close, the rural instrument is extremely poor and rustic while
the urban and bourgeois one is generally accurate, made of luxury woods and having profuse
inlaid works.
Azores's Islands
Ernesto Vieiras Musical Dictionary and Groves Dictionary of Music hints
at the cavaquinhos presence in Azores islands - Prainha do Norte, Ilha do
Pico and Faial (Ilha dos Flamengos, near Horta).
The cavaquinho also exists in Brasil as an integrated element in all the regional
groups of choros, emboladas, bailes pastoris, sambas, ranchos, chulas, bumbas-meu-boi,
cheganças de marujos, cateretês, etc, along with the guitar, violão,
mandolin, clarinet, pandeiro,rabecas, guitars, flutes, oficleides,
reques-reques, puita, canzá and other popular thus urban instruments.
Brazil
This Brazilian type differs from the Minhos one, by its bent soundbord, seventeen
fret wires and an open sound hole similar to the Lisbon instrument, but with smaller total
dimensions. Its mostly known tune follows the Madeira and Minho technique with a
C-major
reverse position, but there are other usual tune options.
Oneyda Alvarenga, Mário de Andrade, Renato de Almeida and other Brazilian authors refer
to the portuguese roots of the local cavaquinho and Câmara Cascudo specially
writes about the importance of Madeira island in this particular subject.
Generally, we can say that the old type of flat soundboard with twelve fret wires
corresponds the mostly traditional instrument of Minho (with early Coimbras origins)
played rasgado. Another link exists between the urban and bourgeois instruments of
Lisbon, Algarve and Madeira island - played pontiado and having a bent soundboard
and seventeen fret wires - eventually influenced by the violão, guitar or
mandolin. Despite its popular character, the Brazilian cavaquinho belongs to this
second type being mainly used by urban popular social class.
Hawai's Islands
Finally, the Hawaian islands have a similar instrument to the cavaquinho - the ukulele
- whom seems to had been exported by Portuguese people.
The Hawaian ukulele has four strings and a similar shape to the portuguese cavaquinho.
Several constructors choose the Lisbon, Madeira or Brazil model; but there are many
english instruments following the Minhos instruments.
Its natural tune is G - C - E - A (A - D - F# - B or
D - G - B - E as mentioned by some english
manuals). Carlos Santos and Eduardo Pereira refer the world wide spread of braguinha due
to the cinema and touristic influences but, principally, to the exportation and migration
from portuguese islands to North and South America, Sandwich Islands, etc.
In fact, the cavaquinho was introduced in Hawaii by João Fernandes - born in
Madeira island - who travels to Honolulu by sea through Cape Horn in the boat
"Ravenscraft" having an immigrant population purposed to the sugar plantations.
Among them stayed the five major names directly linked to the history of cavaquinhos
introduction in Hawaii: two players (João Fernandes and José Luis Correia) and three
constructors (Manuel Nunes, Augusto Dias and José do Espírito Santo).
The Ravenscraft arrives to Honolulu in August 23st of 1879 and João Fernandes carried
with him the portuguese braguinha he used to play during the trip to entertain the
travellers (according to the magazine Paradise of the Pacific - January, 1922).
Hawain people, just by the amusing listening of this small instruments sound,
immediately called it ukulele - or "jumping flea"- figuring its
unusual playing technique. João Fernandes rapidily introduced its use in local dances,
festivals or popular serenades, and formed a musical ensemble with Augusto Dias and José
Luis Correia.
Augusto Dias opened his own workhouse and ukulules shop as Manuel Nunes and
José do Espírito Santo did, since their arrival in 1884 and 1888. Those three early
instrument constructors used local kou and koa local woods achieving truly
satisfactory results.
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